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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Family Portrait



Há imagens que valem mais do que mil palavras;

Ainda me lembro de como era quando fechavas a porta pronto a partir para mais uma noite sem fim... As lágrimas caíam automaticamente do rosto da minha mãe, pois éramos pequenos e mesmo depois de tudo, tu não sabias estar presente e ser aquilo que para o qual supostamente devias estar talhado, ser pai. E foi assim, durante anos, tu sempre vives-te a tua vida completamente à parte da nossa, gozas-te, foste feliz enquanto todos nós esperamos por ti no sofá para ir ás compras, muitas vezes de estômago vazio. Atiras-te nos contra a parede inúmeras, para aprendermos a sermos homens, dizias tu, mas sempre pensei para mim, como alguém como tu, tão cobarde, tão incapaz de viver sem vícios, seria capaz de dizer tais coisas, quando no meio de tudo isto, nunca o soubeste ser. Divertiste-te a fazer da nossa vida um verdadeiro inferno, a controlar tudo e todos a obrigar a esconder a verdade e forçar o sorriso, a dizer que estava tudo bem, quando na verdade não estava. E é por isso e por muito mais, que nunca vou apoiar a tua falsa esperança, o teu amor que apenas não passa de uma mentira, os teus interesses, porque na verdade tu também nunca lutas-te por mim, nem pelos meus, pois isso eu tive que aprender a fazer sozinho. Agora espero que tu faças o mesmo e sigas com a tua vida, pois eu também segui com a minha. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal.

Natal. Afinal não é assim tão hilariante. Com o correr dos anos sempre tive a noção que iria chegar o dia em que eu já não olharia para esta quadra com a mesma magia do que olhava quando era criança. Era provável eu sei, mas costuma-se dizer que com o nosso crescimento vamos aprendendo a dar valor a outras coisas, não querendo mais apenas saber dos presentes debaixo da árvore, mas sim a dar valor ao facto de apenas termos toda a nossa família unida, mais um vez digo é compreensível, provável. Mas agora imaginemos que mesmo assim, nada fica, nenhuma magia se contém no olhar, o que é suposto fazer? mais uma vez sinto vontade de ter um botãozinho nas costas que diz ''Off'' para assim me desligar destes momentos assim como tantos outros. Mas infelizmente ele não existe e mais uma vez tenho que ficar mais um ano a assistir a esta festa que na minha opinião não passa de um palco de teatro a durar dois dias. Onde somos obrigados a manter o sorriso, a dizer ''gosto de ti'' quando não gostamos. Chego a conclusão que não gosto mesmo do Natal. Não passa de uma quadra em que as pessoas se veem livres para poder gastar, a poder receber, já não há mais aquelas noites passadas em frente à lareira a contar histórias de encantar, mas sim as noites em que os putos gritam e que  inquieta mente contam todos os minutos para a meia-noite para assim abrir os presentes que tanto esperavam. Tornou-se algo tão vulgar, algo tão material, tão fútil. É assim, desta maneira que eu vejo esta quadra Natalícia, repleta de interesse, falta de honestidade e que como mesmo disse não passa de um teatro que apenas dura dois dias. Mas mesmo assim, apesar de tudo fico contente por ter uma casa, uma família -mesmo que totalmente descomposta-, com quem assim passar e viver mais uma peça de teatro chamada ''Natal de 2011'', mas pelo menos isso eu tenho, agora há muita gente no mundo que nem isso tem e a essas pessoas eu só desejo que um dia, este ano até se assim puderem tenham um Natal cheio de magia, de alegria, para mais tarde poderem dizer ''agora vivo um teatro de natal todos os anos''. 
Aos restantes desejo o mesmo, um Bom Natal, repleto de coisas boas e prendas se assim o preferirem :3! 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Crescer, depressa?

como eu mesmo te disse um dia: ''posso já não ser o mesmo, mas tu também não''. essa é a verdade e se queres que te diga, nos dias que correm pouco me importa a tua opinião. mesmo sabendo que sempre fui algo insignificante para ti acho que esta na altura de te dizer que nem sempre foste o mesmo para mim e sobretudo há verdades que merecem ser ditas, verdades que ficaram perdidas pelo chão que tu calcas-te um dia sem querer saber do que estavas a deixar para trás. sempre me consideras-te pequeno, o miúdo tolo, o que se sentia revoltado com o mundo, o miúdo que de nada queria saber, que vivia num mundo completamente à parte, que apanhava e calava, o que saía de manhã e chegava à noite muitas vezes para nem para a tua cara olhar. apesar de ter uma visão diferente da tua, de certa forma a tua ideia a meu respeito não estava totalmente errada, mas isso também nunca te disse, muitas vezes por nem valer a pena. fiquei cansado de ser o miúdo que cujo o pai nunca compareceu nas reuniões de pais, que ficava à porta da escola à espera que te lembrasses que tinhas de me vir buscar, que tinha de aguentar as histórias dos outros meninos da turma em que diziam que o pai era o seu herói. nessas alturas, mesmo sendo novo, pensava para mim e guardava ao mesmo tempo o facto de tu nunca teres sido um herói para mim, pois nunca lutas-te por mim ou pela minha felicidade, desistis-te de mim mal te apercebes-te que eu poderia ser diferente de todos os outros meninos, que afinal de contas não ia seguir o caminho que tu querias que eu seguisse, rotulaste-me como sendo estranho, como se eu fosse algo que perdeu a validade, atiraste-me à vida sem rumo à espera que eu o encontrasse sozinho, deixaste-me crescer sem ter a figura de pai ao meu lado, deixaste-me crescer mesmo sabendo que eu poderia não estar preparado. mas mesmo assim, apesar de todo o rancor que nutro por ti, nunca te faltei com o devido respeito, nem nunca te fiz sentir mal pelo facto de eu não gostar de ti, nunca quis saber dos meus interesses primeiro que os teus, nunca deixei de me preocupar contigo cada vez que ficavas doente, nunca deixei de ter, sobretudo, pena de ti. no fim de tudo, de todo o mal, de todas as dificuldades que me fizeste passar, das noites passadas em branco a pensar no porquê de ser diferente, tu ainda tens a lata de me dizer que não és obrigado a ouvir-me, mas que em contra-partida eu tenho que te ouvir a ti? mesmo que vás dizer merda? que eu sou egoísta? que eu nunca fui um bom filho? ás vezes penso como é que eu ainda sou capaz de dar ouvidos ás tuas barbaridades, mais uma vez penso que seja pela enorme pena que por ti nutro.

Mas sabes, apesar de tudo, sinto a necessidade de te agradecer todos os dias, por me teres obrigado a pensar e agir como gente grande, quando eu tinha apenas palmo e meio, por me teres deixado para trás e seguires o teu caminho para que eu me virasse sozinho. e agradeço, sabes porquê? porque senão fosse isso, eu hoje, não era a pessoa que sou. Lutei por tudo aquilo que tenho sem nunca desistir, cada vez que olhas para mim, tudo o que vês, é graças a mim, se tenho roupas de marca, se tenho um bom telemóvel no bolso, é graças a mim, ou então à pessoa que tu achas importante salientar que odeias, pessoa que infelizmente (a teu ver) eu escolhi para a minha vida. mas olha, não gostas? as minhas sinceras desculpas, tenho pena, mas de nada me arrependo, porque enquanto tu foste um pai de merda, eu fui um filho maravilhoso.